Enquanto em alguns momentos Kurt parece bem-humorado, outros revelam um
homem torturado pelo vício das drogas e doença. "... Eu decidi usar heroína (sic)
diariamente por causa de uma doença crônica no estômago que venho carregando nos
últimos cinco anos e tem me levado literalmente ao ponto de querer me matar",
escreveu Cobain em um diário enquanto estava em uma clínica de reabilitação.
"Eu comprei uma arma, mas escolhi as drogas no lugar", ele escreveu depois.
Apesar do Nirvana ter ajudado a colocar o som grunge de Seattle no mapa musical, Cobain
não gostava de ser colocado ao lado de outros grupos. Ele aparentemente tinha um
particular desdém pelos companheiros de bairro Pearl Jam, algumas vezes criticado por ter
um som parecido com o Nirvana.
"Existem várias bandas que se dizem alternativas e elas não são nada além de
'mascaradas', pois são ex-bandas de cabelos armados de anos atrás. Eu adoraria ser
apagado de nossa associação com o Peral Jam ou Nymphs e outros ofensivos artistas de
primeira viagem", critica Cobain.
Os trechos selecionados pela Newsweek incluem várias referências ao abuso de drogas. Em
uma carta a um amigo que nunca foi enviada, Cobain escreve: "Como você já deve ter
percebido nos últimos tempos, eu tenho usado muitas drogas ultimamente e já é tempo da
clínica Betty Ford ou a biblioteca Richard Nixon me salvar do abuso de meu anêmico e
raquítico corpo", diz o músico.
Em outra carta não enviada, escrita a fãs enquanto estava na reabilitação, ele
ridiculariza matérias que dizem que ele é um suicida e um viciado. "Não sou um
viciado... Eu tenho uma desconhecida e desconfortável dor de estômago nos últimos três
anos... Eu decidi aliviar minha dor com pequenas doses de heroína por um período de
três semanas", escreve Cobain.
"Foi uma coisa estúpida que eu fiz e nunca mais vou fazer e sinto ter feito alguém
acreditar que a heroína pudesse ser usada como remédio porque, hum, duh: não
funcionou", ironiza. Cobain não conseguiu se livrar da heroína. Poucos meses antes
de morrer, ele escreveu: "Eu me lembro de alguém dizendo que se você provasse
heroína uma vez só, ficaria viciado. Claro que eu ri disso, mas agora eu acredito que
isso é absolutamente verdadeiro", confessou.
Também entre os escritos estão várias cartas de amor para sua mulher, Courtney Love, e
uma irritada e não enviada carta para seu separado pai. O livro de 288 páginas vai ser
lançado no dia 4 de novembro nos EUA pela editora Riverhead Books. O diário foi vendido
por David Vigliano, que representa o patrimônio de Cobain.
"Eu gosto de punk rock. Eu gosto de garotas com olhos esquisitos. Eu gosto de drogas
(mas meu corpo e mente não me permitem tomá-las. Eu gosto de paixão. Eu gosto de jogar
minhas cartas do jeito errado. Eu gosto de vinil. Eu gosto de me sentir culpado por seu um
macho branco norte-americano. Eu amo dormir. Eu gosto de zoar baixinho com os cachorros
que latem dentro de carros estacionados. Eu gosto de fazer as pessoas se sentirem felizes
e superiores em reação à minha aparência. Eu gosto de ter opiniões fortes sem nada
para sustentá-las além de minha sinceridade original. Eu gosto de sinceridade. Eu
careço de sinceridade."
"Eu tenho lido tantas avaliações freudianas patéticas, de segunda categoria,
tiradas de entrevistas de minha infância até o presente estado da mina personalidade e
como eu sou um notório e fodido viciado em heroína, alcoólatra, auto-destrutivo, apesar
disso evidentemente sensível, fraco, frágil, de fala mansa, narcoléptico, neurótico,
nervosinho que a qualquer momento vai tomar uma overdose pular do telhado explodir meus
miolos ou todos os três de uma vez. Oh, por favor, Deus! Eu não sei lidar com o sucesso!
O Sucesso! E eu me sinto tão incrivelmente culpado! Por abandonar meus verdadeiros
camaradas que eram os únicos devotados que estavam dentro de nós anos atrás. E em 10
anos quando o Nirvana ficarão memorável quanto o Kajagoogoo, aquele mesmo dez por cento
virá nos ver em shows de reunião patrocinados pelas fraldas Depends, gordos carecas
tentando fazer RAWK em parques de diversão. Sábados: shows de marionetes, montanha russa
& Nirvana"
"Se nós formos ficar restritos a um gueto, eu preferiria ficar no mesmo pardieiro
que bandas que são boas como Mudhoney, Jesus Lizard, Melvins e Beat Happening a ser um
arrendatário do regime dos proprietários corporativos. Tem um monte de bandas que juram
ser alternativas e não são nada além de ex-bandas despidas de fazendeiros de cabelos de
sunset strip. Eu amaria ser apagado de qualquer associação com Pearl Jam ou Nymphs ou
outro desses reús primários"
"Entre os meses de outubro de 1991 e dezembro de 1992, eu enchi quatro cadernos com
dois anos de poesia e manuscritos pessoais... A coisa mais violadora que eu tenho sentido
neste ano não são os exageros da mídia ou as fofocas traiçoeiras, mas o estupro dos
meus pensamentos pessoais. Arrancados de páginas em minha estada em hospitais, em viagens
de aviões, estadias em hotéis, etc. Eu me sinto compelido a dizer foda-se foda-se para
aqueles de vocês que não têm absolutamente nenhuma consideração por mim como pessoa.
Vocês me estupraram com mais violência que jamais saberão"
"Eu tinha uns 15 anos e estava com essa menina, chamada Jackie. Ela era mais velha
que eu. Eu sabia que eu era apenas um passatempo pra ela, até o namorado dela sair da
prisão. Mas eu me sentia bem com ela. Um dia subimos prum quartinho e então no escuro
tiramos a roupa. Eu estava excitadíssimo, pois aquela seria minha primeira vez. Foi
quando então minha mãe abriu a porta e gritou 'Tire já essa puta daqui'. Fiquei com
tanta raiva que passei a noite fora até me acalmar. A partir daí cada vez que estava
numa situação íntima com uma garota ficava sempre com medo, mais medo da minha mãe
abrir a porta do que de uma barata."
"Entre os meses de outubro de 1991 e dezembro de 1992 eu enchi quatro cadernos com
dois anos de poesias e manuscritos pessoais... A coisa mais violadora que eu tenho sentido
neste ano não são os exageros da mídia ou as fofocas traiçoeiras, mas o estupro dos
meus pensamentos pessoais. Arrancados de páginas em minha estada em hospitais, viagens de
aviões, hotéis, etc. Eu me sinto compelido a dizer foda-se. Foda-se para aqueles de
vocês que não têm absolutamente nenhuma consideração por mim como pessoa. Vocês me
estupraram com tamanha violência que nunca saberão."
"Eu gosto de punk rock. Eu gosto de garotas com olhos esquisitos. Eu gosto de drogas
(mas meu corpo e mente não me permitem tomá-las). Eu gosto de paixão. Eu gosto de jogar
minhas cartas do jeito errado. Eu gosto de vinil. Eu gosto de me sentir culpado por seu um
macho branco norte-americano. Eu amo dormir. Eu gosto de zoar baixinho com os cachorros
que latem dentro de carros estacionados. Eu gosto de fazer as pessoas se sentirem felizes
e superiores em reação à minha aparência. Eu gosto de ter opiniões fortes sem nada
para sustentá-las além de minha sinceridade original. Eu gosto de sinceridade. Eu
careço de sinceridade"
"Eu tenho lido tantas avaliações freudianas patéticas, de segunda categoria,
tiradas de entrevistas de minha infância até o presente estado da minha personalidade. E
como eu sou um notório e fodido viciado em heroína, alcoólatra, auto-destrutivo, apesar
disso evidentemente sensível, fraco, frágil, de fala mansa, narcoléptico, neurótico,
nervosinho que a qualquer momento vai tomar uma overdose, pular do telhado e explodir os
miolos todos de uma vez. Oh, por favor, Deus! Eu não sei lidar com o sucesso! O sucesso!
E eu me sinto tão incrivelmente culpado! Por abandonar meus verdadeiros camaradas que
eram os únicos devotados que estavam dentro de nós anos tempos atrás. E em 10 anos
quando o Nirvana ficará tão memorável quanto o Kajagoogoo, aquele mesmo 10 por cento
virá nos ver em shows de reunião patrocinados pelas fraldas Depends, gordos carecas
tentando fazer Rawk em parques de diversão. Sábados: shows de marionetes, montanha russa
& Nirvana"
"Se nós formos ficar restritos a um gueto, eu preferiria ficar no mesmo pardieiro
que bandas que são boas como Mudhoney, Jesus Lizard, Melvins e Beat Happening a ser um
arrendatário do regime dos proprietários corporativos. Tem um monte de bandas que juram
ser alternativas e não são nada além de 'mascaradas', pois são ex-bandas despidas de
fazendeiros de cabelos armados de anos atrás. Eu amaria ser apagado de qualquer
associação com Pearl Jam ou Nymphs ou outro desses reús primários e ofensivos de
primeira viagem
"Lembre-se de que seus irmãos mais velhos, primos, pais e seu pai não devem ser
exemplos. Isso significa que você não faz o que eles fazem, nem o que dizem. Eles vêm
de um tempo em que acreditavam que você deveria ser grosso com as mulheres e se achar
melhor e mais forte do que os outros"
"Eu não sou gay, mas queria ser só para irritar os homofóbicos"
"Resolvi passar a usar heroína todos os dias para fazer minha dor de estômago
passar, não agüentava mais vomitar e não comer. Tudo por causa de uma maldita doença
crônica no estômago que venho carregando nos últimos cinco anos e tem me levado
literalmente ao ponto de querer me matar. Se eu estava me sentindo como um
junkie, era
melhor então ser um. Foda-se a fama no mundo da música, eu quero ter uma doença rara de
estômago batizada com o meu nome"
"Como você já deve ter percebido nos últimos tempos, eu tenho usado muitas drogas
ultimamente e já é tempo da clínica Betty Ford ou a biblioteca Richard Nixon me salvar
do abuso de meu anêmico, anorexo e raquítico corpo"
"Foi uma coisa estúpida que eu fiz e nunca mais vou fazer e sinto ter feito alguém
acreditar que a heroína pudesse ser usada como remédio porque, hum, duh: não funcionou.
Eu me lembro de alguém dizendo que se você provasse heroína uma vez só, ficaria
viciado. Claro que eu ri disso, mas agora eu acredito que isso é absolutamente
verdadeiro"