+ nirvana                             ENTREVISTA 2002

n i r v a n a

Como ocorre tão freqüentemente, a música por si só diz tudo. Nevermind, o álbum do Nirvana que alterou a paisagem da música popular no começo dos anos 90, começa com a agressividade de "Smells Like Teen Spirit" e (sem contar a faixa escondida no final, "Endless, Nameless") termina com a inquietante "Something in the Way", que deixa um pavor pairando no ar. Este arco emocional traça a jornada da própria banda entre o lançamento de Nevermind em 13 de setembro de 1991 e o devastador "suicídio?" de Kurt Cobain em abril de 1994. Como disse Dave Grohl em uma entrevista recente com David Fricke da Rolling Stone, "Do momento em que Nevermind saiu ao momento em que Kurt morreu, não se passaram nem três anos. Não é tempo suficiente para se acostumar com uma mudança tão grande."
De alguma forma os dez anos que se passaram desde o lançamento de Nevermind também não são suficientes. Certamente o álbum não perdeu nem um pouco de sua força - é simplesmente extraordinário ouvi-lo do início ao fim. De um jeito que parece verdadeiro como tão poucos CDs nos últimos tempos , cada música em Nevermind parece essencial. O célebre álbum tirou Michael Jackson do topo das paradas, pôs um fim ao reinado das bandas de hair metal e, por um breve e incrível momento, tornou o mundo seguro novamente para o rock and roll.
Mas não diminui em nada a façanha do Nevermind admitir que é impossível ouvi-lo — ou a qualquer música do Nirvana a esse ponto, na verdade - sem pensar no "suicídio?" de Kurt Cobain. Talvez em algum dia no futuro isso não seja mais verdade, ao menos para aqueles que não estavam vivos quando aconteceu e não experimentaram aquela sensação nauseante em seus estômagos quando ouviram as notícias. Mas é verdade agora.
Isso não ocorre com outros artistas - Jim Morrison, John Lennon, Jimi Hendrix, Janis Joplin, 2pac, Notorious B.I.G., entre eles - que morreram de forma violenta ou prematura. E o motivo para essa diferença tem a ver com a natureza do suicídio. O verdadeiramente assustador grau de intenção na morte de Cobain - sua violenta característica de "que se foda" - torna sua morte diferente, mais terrível e perturbadora.
É claro que, como com tantos personagens literários, o "suicídio?" também fez de Cobain uma figura romântica. Sua morte pode ser ingenuamente interpretada como uma rejeição da fama ou da popularidade, ou mesmo do mundo por si próprio, com todas suas intoleráveis afrontas, desfeitas e insultos, todos seus inevitáveis compromissos chatos. Sem dúvida, há alguns jovens agora que escutam a música do Nirvana apenas desta forma.
Mas foi, enfim, uma decisão pessoal. Cobain simplesmente não podia mais viver em sua própria pele; os genes do "suicídio?" que ele, de forma parcialmente séria, acreditava serem parte da herança de sua família exerceram nele uma influência forte demais. E é necessário mencionar todas as drogas? Ele usou a única saída que acreditou ser possível para ele. Quis se apagar, e desastrosamente até certo ponto, ele obteve sucesso em sua meta.
Nevermind vendeu mais de 10 milhões de cópias. É uma reconhecida obra-prima e aparece em todas as listas oficiais e não-oficiais dos álbuns mais importantes na história da música popular. Mas através de sua morte, Cobain alcançou o que possivelmente foi um de seus objetivos: tornar o Nirvana uma banda cult novamente. Para os contemporâneos do Nirvana, a morte de Cobain tornou a ambição imprópria, e então abandonaram as paradas aos garotos do pop e do hip-hop, que não compartilham sua relutância quanto à fama e ao sucesso.
Mesmo entre bandas de rock atuais, onde está a influência do Nirvana? Essas bandas certamente diriam coisas respeitosas sobre o Nirvana se lhes perguntassem, mas é muito mais provável que tenham sido genuinamente influenciadas por Dr. Dre, Jane's Addiction ou mesmo pelo guns n' roses (uma banda, ironicamente, que Cobain desprezava) do que pelo Nirvana. Uma banda que decide emular o Nirvana deve sentir-se como se estivesse fadada a um beco sem saída. Ou pior.
Isso irá mudar com o tempo. Quando a sombra do melancólico ato final de Cobain recuar, a música do Nirvana uma vez mais virá em primeiro lugar. Mesmo agora, está ocultamente encontrando aqueles que precisam ouvi-la, os fãs que podem encontrar alívio e consolo no rugido brutal e nas melodias suaves da banda, na beleza crítica das letras de Cobain e na intimidade gemida de seu canto. Por fim, as hostilidades - tão parecidas com as do caso dos Beatles que apenas se espera que Cobain esteja tendo um prazer maldoso nisso, onde quer que ele esteja -, que impediram Courtney Love e os membros sobreviventes do Nirvana, Dave Grohl e Krist Novoselic, de entrarem em acordo sobre o lançamento da tão aguardada caixa do Nirvana, serão contornadas e a música da banda terá outra oportunidade importante de fazer valer seus direitos no mundo.
Agora, entretanto, qualquer coisa que tenha a ver com o Nirvana deve provocar sentimentos complicados e contraditórios em qualquer um que em algum momento se importou com a banda - e em quem é honesto o bastante para não fugir da escuridão. Cada aniversário, bom ou ruim, será, ao menos em parte, um memorial, e cada celebração de um êxito será também assombrada por algo que todos sabem que ocorreu e que, em sua raiva e absoluta convicção, simplesmente não pode ser enterrado e esquecido.

Dave Grohl sobre o Nevermind
Pouco antes de ter começado a trabalhar com o Nirvana em Nevermind, o co-produtor e engenheiro de som Butch Vig recebeu um telefonema de Kurt Cobain. "Ele disse, 'Encontrei o melhor baterista do mundo,'" recorda Vig. O baterista era Dave Grohl, um nativo de Ohio e veterano da cena hard core na área de Washington D.C. com a banda Scream. A mudança de Grohl para o Noroeste em agosto de 1990 pôs um fim à problemática sucessão de bateristas no Nirvana - cinco desde 1987 - e trouxe um forte groove à resplandecência das músicas de Cobain. Um aspirante a cantor e compositor, Grohl fez fitas-de-um-homem-só durante seus anos no Nirvana e, após a morte de Cobain em 1994, formou o Foo Fighters, atualmente entre os poucos prósperos sobreviventes da insurreição alt-rock dos anos 90. Mas Grohl continua mais conhecido pela trovejante bateria do começo de "Smells Like Teen Spirit", que impulsionou a música e anunciou o Nirvana ao mundo.

Quando foi a última vez que você escutou Nevermind do início ao fim?
Seis ou sete meses atrás. É bom ouvi-lo de tempos em tempos junto com outros CDs da época, como Ritual de lo Habitual do Jane's Addiction e o álbum Gish do Smashing Pumpkins. É mais fácil pensar na produção do que no valor emocional que o Nevermind tem para mim - não de uma forma negativa, apenas de uma forma devastadora. Aquele tempo foi como um turbilhão, mas foi a maior realização da minha vida. Eu comemoro isso de vez em quando. De fato, Krist e eu ouvimos um pouco disso recentemente enquanto estávamos mixando uma nova faixa do Nirvana, só para comparar.

Esta faixa, "You Know You're Right", da última sessão de gravação do Nirvana, em janeiro de 1994, como ela soa?
É bem melódica. Mas tem provavelmente mais feedback do que jamais ouvi em uma faixa do Nirvana. Com Nevermind queríamos capturar a energia bruta da banda porém com ótima performance. In Utero era tudo sobre capturar a vibração em fita. Esta música está em algum lugar entre os dois - mas mais estranha.

Qual foi o motivo para fazer a sessão?
Nós estávamos excursionando pelos EUA e tínhamos esta música nova que havia surgido em passagens de som. Nos primeiros dois dias (no estúdio), foi só Krist e eu embromando. Kurt entrou no 3º dia e nós fizemos a música em um take. Então ele cantou três faixas de voz. Foi isso.

Quando você se juntou ao Nirvana eles tinham tido muitos bateristas. Por que Kurt e Krist tiveram tantos problemas para encontrar o cara certo?
Kurt era meio que um baterista ele mesmo. Quando ele tocava guitarra ou escrevia músicas, se você alguma vez já olhou para o maxilar dele, ele ficava movendo o maxilar pra lá e pra cá, como se ele estivesse tocando bateria com os dentes. Ele ouvia em sua cabeça o que ele queria de um ritmo, e isto é algo difícil de expressar em palavras. Acho que um dos motivos pelos quais eles me quiseram foi que eu fazia backing vocals. Não lembro deles dizendo, "Você está na banda." Nós só continuamos.

Butch Vig fala de como ele teve que trabalhar com as mudanças de humor de Kurt no estúdio. Como o cara novo na banda, como você lidava com as mudanças dele?
Havia momentos em que nós realmente nos uníamos - sorríamos, ríamos e nos sentíamos como uma banda. E havia momentos em que você se sentia perdido e questionava o que estava fazendo ali. Houveram vezes em que eu tive que recuar completamente e pensar, "Eu sou só o baterista nesta banda." E houveram outras nas quais todos nós compartilhamos algo realmente bonito, como um show ou uma gravação ou só uma harmonia vocal. É aí que você realmente sente como se fosse parte de algo.

Você se surpreendeu com o dinheiro que subitamente apareceu - adiantamentos, verbas de gravação - quando o Nirvana assinou com a Geffen?
Porra, claro!. Era inacreditável. Nós passamos de vender amps e singles "Love Buzz" por comida para ter milhões de dólares. Vindo de Springfield, Virginia, eu passei de não ter dinheiro algum e trabalhar na Tower Records para estar garantido para o resto da minha vida. Lembro da primeira vez que conseguimos um cheque de mil dólares. Estávamos tão animados. Eu saí e comprei uma arma BB e um Nintendo - as coisas que eu sempre quis quando garoto.

Como você descreveria o relacionamento entre Kurt e Krist?
Krist era o melhor amigo de Kurt - sempre. Os dois tinham uma ligação além das palavras. Acho que eram mais próximos um do outro do que eram de qualquer outra pessoa. Krist é um homem muito amável, gentil, doce e grande. Se ele é seu amigo, é seu amigo para a vida toda. Ele protegia Kurt de muitas formas e em muitas situações. O exemplo perfeito é Krist impedindo aquele imenso segurança de matar o Kurt após Kurt ter batido na cabeça dele (do segurança) com sua guitarra em Dallas, Texas. A primeira pessoa a pular e proteger o Kurt foi o Krist. Você tem um segurança de 180 quilos querendo matar o Kurt, e Krist simplesmente se levantou e disse, "Nem tente isso."

Você tem alguma boa memória em particular das gravações do Nevermind, quando você soube que tinha algo especial?
Ouvir sua música sendo tocada nos grandes auto-falantes pela primeira vez após a faixa ser terminada - este é o pagamento, como quando "Smells Like Teen Spirit" tocou nos auto-falantes pela primeira vez. As únicas demos que havíamos feito daquela música estavam em um aparelho portátil - costumávamos ouvi-la soar como um bootleg de merda. De repente você tem Butch Vig fazendo-a soar como Led Zeppelin IV. E enquanto estávamos mixando o álbum, Krist, Kurt e eu pegávamos uma fita das músicas e dirigíamos pelos Hollywood Hills, ouvindo. Aquilo era outra coisa.

Você tinha alguma noção de que o álbum seria um sucesso?
Não parecia possível. As paradas estavam cheias de Mariah Carey e Michael Bolton. Parecia que estávamos a ponto de fazer outra passagem pelo underground. Uma das primeiras pessoas a dizer que achavam que o álbum ia ser grande foi Donita Sparks do L7. E eu não acreditei nela. Eu dizia, "Não há absolutamente chance alguma."
Foi tocando no Reading Festival na Inglaterra em (agosto de) 1991 - nós éramos talvez os quartos no programa do festival - vendo o público responder a "Smells Like Teen Spirit". Era algo sobre aquela música. As pessoas simplesmente saltavam ao ouvi-la. Basicamente, é uma batida dance - os versos são como bateria Cameo-disco e os refrões são heavy metal go-go dos anos 60.

Você podia ver Kurt já recuando diante daquela loucura naquela tour por clubes americanos no outono de 91 (primavera de 91 no hemisfério Sul) ?
Sim. Havia aquela culpa punk rock. Kurt se sentia de alguma forma culpado por ter feito algo que agradou a tantas pessoas. Quanto maior nossos shows ficaram, mais longe ficamos do nosso ideal.
Estávamos todos em um estado muito estranho. Era como um turbilhão com o qual ninguém realmente teve qualquer tempo para se acostumar. Do momento em que Nevermind foi lançado ao momento em que Kurt morreu não se passaram nem três anos. Não é tempo suficiente para se acostumar com uma mudança tão grande.

Se você pudesse mudar qualquer coisa naqueles seis últimos meses de 1991, o que seria?
Teria sido interessante esperar seis meses antes de pôr o clipe de "Smells Like Teen Spirit" na MTV. Eu teria preferido que todos tivessem ouvido o CD e ficado por dentro da música antes de terem esse comercial de quatro minutos de revolta adolescente.

Você ainda está no rock com o Foo Fighters. Você ouve o Nevermind na música ao seu redor agora?
Isso seria muito egoísta. Tenho orgulho de ter feito parte daquela banda, de ter tido oportunidade de significar tanto para tanta gente. Quando o Foo Fighters faz shows, garotos se aproximam - garotos de novas bandas, que são grandes, que têm 22 anos, a mesma idade que eu tinha quando gravei Nevermind - e eles me dizem que fui uma grande influência para eles. E tudo que isso consegue é fazer eu me sentir velho (risos), como Neil Young ou algo assim.

Você esteve excursionando e gravando com o Foo Fighters por mais tempo do que esteve no Nirvana. Ficou mais fácil ou mais difícil para você estar no jogo?
Se tornou algo como vida normal para mim. Uma das boas coisas em ter sido baterista no Nirvana foi que eu não era o foco de toda a atenção. Eu era o cara que nunca foi reconhecido. Eu tive que sentar no fundo e descobrir quais eram as armadilhas, porque nenhuma delas aconteceu comigo.

Você aprendeu com os erros e tentativas do Kurt?
Com certeza - e com os erros e tentativas da banda em geral. Fazer álbuns e sair em turnê não deveria ser tão difícil. Eu faço o álbum no estúdio na minha casa e saio em turnê com o mesmo grupo de estrada que tínhamos no Nirvana. Fazemos shows para pessoas que voltam cada vez que vamos à sua cidade. Venho para casa e como um churrasco com minha mãe e minha irmã até ser hora de voltar a excursionar novamente.
Definitivamente, Kurt tinha muito mais dor interna do que eu. Sou geralmente uma pessoa bem feliz alto-astral. Posso rir de quase tudo. O tempo todo que a banda estava explodindo eu estava me matando de rir, pensando, "Isto é absolutamente ridículo. Estas pessoas estão se enganando de alguma forma." Não acho que a reação do Kurt fosse a mesma.
Havia horas em que era tão esmagador que, sim, eu pensava que ia perder a cabeça. Eu tive esse incrível ataque de pânico no Warfield Theater em San Francisco, em que nós abrimos o show tocando "Polly". As cortinas estavam fechadas e aquele ajudante de palco ficou vindo, dizendo, "Você tem um minuto. Está pronto? Um minuto!" Eu nunca tinha ficado nervoso antes na minha vida. Estava tipo, "Estou ótimo." Então ele voltava: "Você tem 30 segundos. Está pronto?" E eu, "Cara, estou ótimo! Relaxa!"
Então me assegurei de que estava tudo no lugar com a bateria. O PA estava ligado e a multidão começou "Waaaaagghhh!". As cortinas se abriram e era uma parede de gente do chão até o teto. Eu quase desmaiei. Tive que sentar lá e cantar os backing vocals de "Polly" - foi uma puta tortura. Em todo show depois daquele eu tive ataques de pânico - durante o show, não imediatamente antes. Eu ficava fazendo contagem regressiva com o setlist: "Tenho mais 8 músicas para tocar. Tenho que passar por esse verso." Isso foi toda noite da minha vida, o tempo todo em que estive na banda.

Quando você pensa no Kurt agora, do que você mais se lembra - e sente saudade?
Penso muito no sorriso dele. E na sua risada. Ele tinha uma risada engraçada, uma puta gargalhada. Lembro dele sendo feliz. É fácil lembrar dele sendo triste. Mas as coisas em que eu gosto de pensar são a felicidade dele, e o quanto ele amava a música, fosse sentado na sala de estar e tocando violão ou tocando no Off Ramp em Seattle. De verdade, ele realmente amava criar música. Toda noite, quando estávamos morando juntos, ele costumava entrar no seu quarto, eu estava dormindo no sofá, e ele entrava e escrevia por horas em seus diários. A luz do quarto dele ficava acesa por horas, e ele escrevia páginas e páginas. Ele era uma pessoa gentil, doce e atenciosa. Ele era sempre tão legal com a minha mãe (risos). Um monte de gente o imagina como um terror, quando, honestamente, ele era uma das pessoas mais agradáveis que se podia conhecer. E eu gosto de pensar no formato das mãos dele, e na forma como ele movia sua boca quando tocava guitarra. Esses são os tipos de coisas de que eu me lembro. Definitivamente eu me sinto sortudo de tê-lo conhecido. Ele mudou minha vida para sempre de tantas formas. E eu sinto falta dele. Penso muito nele.


Krist Novoselic sobre o Nevermind

Antes que houvesse um Nirvana, Krist Novoselic e Kurt Cobain eram melhores amigos. Nascido em Compton, Califórnia, em 1965, Novoselic se mudou com sua família para Aberdeen, Washington, onde conheceu Cobain no 2º grau no meio dos anos 80. Os dois seriam companheiros de quarto, confidentes e companheiros de banda pelos 11 anos seguintes, até Cobain tirar sua própria vida em 5 de abril de 1994. "Krist era uma das únicas pessoas que podia fazer Kurt rir," diz o baterista Dave Grohl. "Eles compartilhavam um senso de humor. Krist podia fazer Kurt começar a rir, rolando e chorando no chão. É claro que eu nunca entendi do que diabos eles estavam falando." Após a morte de Cobain, Novoselic fez um álbum com a banda Sweet 75, e então fundou o grupo JAMPAC para combater a censura e conscientizar política e socialmente a comunidade musical. Ele recomeçou a tocar música recentemente.

É difícil pensar que uma década passou desde o lançamento de Nevermind?
Os dados do Nirvana continuam rolando. Há sempre algo acontecendo, ou na imprensa ou questões internas. Sempre será uma parte de mim. Algo disso não foi nada menos que traumático. Mas eu sobrevivi - você interpreta e descobre o sentido disso depois. Só o Kurt está passando: ele se tornou uma divindade. Lidar com isso é bem pesado.

O quão estranho é ouvir pessoas falarem dele como um Deus?
Há o ícone, e há a pessoa. Eu separo os dois. Não acho que alguma vez eu tenha conhecido o ícone. É uma característica humana, endeusar alguém que se foi. Ele é lendário agora. É interessante para mim estar nesse lado disso - ter conhecido e lembrar a pessoa.

Você acha difícil falar sobre ele?
(Longa pausa) Depende do contexto. Nós estávamos em L.A., Dave e eu, lidando com algumas coisas do Nirvana, e nós estávamos sentados por lá, falando sobre o Kurt. Foi divertido, voltar àquilo. Faz você se sentir melhor.

Quais são as coisas com relação a ele que fazem você rir agora?
O estranho senso de humor dele, que era meio que grotesco. Os quadrinhos e desenhos que ele fazia, porque ele era um bom artista visual. Às vezes ele falava nessas vozes altas, como uma criança Satanista. Nós estávamos sempre rindo de alguma coisa, sendo ridículos - a maioria piadas estúpidas.

Como Nevermind soa para você agora?
É tão forte. Não há momentos fracos nele. Nunca pulo uma música sequer. Cada música tem algo a dizer. Estávamos bem ensaiados - entramos e apenas colocamos para fora. Não foi consciente. Saiu.

Vocês fizeram muita preparação para o álbum: escrevendo, praticando, fazendo demos, primeiro tocando algumas das músicas em turnês. Vocês eram mais orientados do que presume-se que bandas punks sejam.
Sempre fomos sérios quanto a gravar e ensaiar. Nós dirigíamos 10 quilômetros para ensaiar. Ensaiávamos em Seattle, começando às onze da noite. Eu morava em Tacoma, Kurt morava em Olympia e (o baterista) Chad Channing, em Bainbridge Island. Nós nos reuníamos todas as noites.
Também ensaiamos em Tacoma. Encontramos um celeiro - alguém havia feito dele um estúdio. Era aquecido, e não éramos perturbados. Não havia outras bandas sangrando pelas paredes. Tínhamos a música para nós mesmos. E Kurt estava sempre começando músicas. Ele ficava no seu apartamento, tirando riffs e melodias vocais, então os trazia: "Ei, dê uma olhada nessa." Nós a colocávamos no moedor e víamos o que saía no final.

Você podia ouvir as mudanças nas composições dele entre Bleach e Nevermind?
Com certeza. Como "In Bloom": da primeira vez que começamos a tocá-la, soava como uma música do Bad Brains. Mas então Kurt foi pra casa e persistiu nela. Continuou trabalhando nela. Então ele me chamou no telefone e disse, "Ouça essa música." Começou a cantá-la no telefone. Dava pra ouvir o violão. Era a "In Bloom" do Nevermind, uma coisa mais pop.
Estávamos ouvindo coisas como os Smithereens naquela época, e os Beatles. Tínhamos uma fita que escutávamos na van - isso foi antes de gravarmos o Bleach. De um lado tinha os Smithereens. E do outro era a banda de heavy metal Celtic Frost. Aquela fita estava sempre sendo tocada, virada outra e outra vez. Penso nisso agora, "É, talvez tenha sido uma influência."

No palco, você era o falante, brincando com o público e tal. Você sentia a necessidade, como amigo do Kurt, de ser a defesa dele contra o stress e a esquisitice de estar em uma banda de rock popular?
Nós conversávamos se as coisas o estavam incomodando. Eu dizia, "Ah, vai ficar tudo bem." Eu tinha uma personalidade mais extrovertida. Me divertia, falando com as pessoas no palco, bebendo cerveja. Mas Kurt era realmente esperto. Ele tinha sua percepção do mundo. Sabia como lidar com isso. Sabia como ficar quieto. Ele tinha aquela coisa da sabedoria asiática - o silêncio.
Ele podia ler as pessoas muito bem, também; muito melhor do que eu. Agora que estou mais velho, estou ficando melhor nisso. Você vê que muitas pessoas são vampiros. Você vê suas agendas. Eu não costumava ver isso nunca. Mas Kurt era capaz de ver isso. Ele podia tomar conta de si.
O negócio dele era construir seu próprio mundo. Onde quer que ele morasse, ele teria todas aquelas coisas nas paredes, desenhos ou música ou coisas que ele colecionava. Haveria dez estátuas de Coronel Sanders, o que era meio estranho. Num lugar ele tinha painéis de madeira, e ele encontrou uma revista velha dos anos 60, com uma mulher num anúncio acariciando um painel de madeira. Ele colocou aquilo na parede.

Quando o Nirvana assinou com a Geffen, a banda foi da subcultura punk dos selos independentes para o dinheiro e a loucura da indústria de álbuns das grandes corporações. Vocês sabiam onde estavam se metendo?
Não estávamos nem prestando atenção. Eu era o que falava ao procurador: "Como está indo o acordo?" Então, um dia, nós assinamos todos os papéis - e pedimos sanduíches. Comemos sanduíches e assinamos papéis, e foi isso. Não sabíamos no que estávamos entrando. Recebemos todo aquele dinheiro de adiantamento, e gastamos tudo em estúdios, clipes e taxas. Se foi todo. Mas lembro que fomos inflexíveis quanto a controle criativo. Conseguimos isso.

Do que você se lembra sobre fazer Nevermind? O produtor, Butch Vig, diz que houve pouca bagunça.
Sabíamos que estúdios custam dinheiro. Estávamos pagando por acomodações. Estávamos lá para trabalhar. E não havia nenhum drama ou coisas externas acontecendo. Era como se fôssemos livres; foi nosso último momento daquele tipo de vida, em que podíamos apenas entrar e tocar.
Conforme os dias passaram, lembro de algumas vezes trazer uma garrafa de uísque à tarde. Tomava umas doses puras para me soltar. Lembro de vadiar muito no estacionamento, na ante-sala.

Assim que vocês finalizaram Nevermind, vocês embarcaram numa pequena tour. Você podia sentir o entusiasmo crescendo?
Não. Eu estava tipo, "Tudo bem, terminamos um CD." Fizemos shows com Dinosaur Jr. e Jesus Lizard. Deixamos L.A. e dirigimos direto para o Colorado. Estávamos só tocando com essas outras bandas da subcultura. Mas as pessoas me disseram depois que, no show de Denver, todos compraram camisetas do Nirvana.

Kurt mais tarde rejeitou Nevermind como "polido" demais. Foi por causa da estética punk que era tão importante para ele?
Não sei como ele pôde dizer aquilo. É uma parte legal daquele álbum - tem aquele som limpo. Não sei se era um dogma punk. Muito disso era por causa da atenção. Ele estava recebendo todos os julgamentos, pessoas pondo suas percepções sobre ele. Ele era uma pessoa muito reservada. Por ser um cantor e músico tão agressivo, ele era um cara bem quieto. Ele deveria nunca ter deixado aquele apartamento em Olympia. Ele teria ficado bem.

É difícil aceitar que um álbum que tem significado tanto para tanta gente tenha tido um efeito tão diferente no cara que o fez. Você gostaria que Kurt tivesse se divertido mais com seu sucesso?
É claro que eu gostaria que ele tivesse aproveitado mais. Mas ele simplesmente estava em uma viagem muito diferente. Ele tomou todas as suas próprias decisões. O que se vai fazer? Somos todos comandantes da nossa própria viagem. É difícil de acreditar que seja um álbum tão revolucionário - para as pessoas na banda, ao redor da banda, no mundo. Há muita força no álbum, mas não é um Sgt. Pepper com orquestras sinfônicas. Era só um disco de rock and roll. Nosso CD podia ter saído nos anos 70 ou 80. Talvez seja uma parte de seu grande sucesso. Você pode ir atrás dessa idéia ou daquele conceito, but this was stripped down, com muito sentimento. É a magia bem ali. Não havia nenhuma pretensão.

Você ouve o Nevermind - um pouco do sentimento ou da magia - no rock hoje, no Limp Bizkit ou no blink 182?
Eu ouço mais na coisa do grande refrão, a dinâmica barulhento-quieto. Alguns cantores, você pode ouvir que eles foram influenciados pelo Kurt. É legal, porque o Nirvana foi influenciado por todo tipo de coisas.
Sinto mais isso talvez com o slipknot. Fui vê-los - não sabia qual era a deles - aí eles fizeram um show intenso. Comecei a ouvir a música deles e fiquei realmente fascinado. Me fez voltar a pensar, "Deus, eu deveria estar fazendo mais música." Na verdade eu venho tocando mais música. No último fim-de-semana, minha amiga Donita [Sparks] do L7 apareceu. Estávamos improvisando, tirando algumas músicas. Estive criando alguma coisa. É meio louco começar novamente.
Mas quanto às coisas no rádio - eu não sei (não conheço). Andei ouvindo os Rolling Stones. Lembra daquele álbum Metamorphosis? O encontrei numa loja de segunda mão no Oregon. É um álbum fodido - eu gosto.

Se Kurt tivesse alguma idéia de como as pessoas iam lamentar e sentir falta dele, você acha que ele teria pensado duas vezes sobre partir?
Kurt dizia coisas, ficava muito crítico ou pra baixo por alguma coisa. E se sentia péssimo quanto a isso. Acho que essa é a melhor resposta que posso te dar.



Butch Vig sobre o Nevermind

Butch Vig era um produtor muito conceituado no underground americano quando foi chamado para co-produzir e ser engenheiro de som do Nevermind em 1991. Desde então fez três álbuns com seu próprio grupo alt-pop, Garbage. Mas Vig conta que bandas ainda lhe pedem para produzir seus álbuns, para fazê-las "soarem como Nirvana. Eu digo, 'Você quer soar como Nirvana? Escreva músicas tão bem quanto Kurt Cobain.'"


Você gravou o Nirvana pela primeira vez em abril de 1990 em seu estúdio, Smart, em Madison, Wisconsin, para aquele que era para ser o 2º álbum deles na Sub Pop.

Foi, Jonathan Poneman (da Sub Pop) me chamou e disse, "Esta banda pode ser maior do que os Beatles." Eu ri.

Ele disse isso mesmo?
Disse. A van estacionou, eles entraram. Eu não tinha nenhuma pré-produção. Uma das primeiras coisas que Kurt disse foi, "Nós queremos soar mais lentos e mais pesados que Black Sabbath. Desligue o treble em todas as faixas."
Nós gravamos oito músicas em seis dias. Eu mixei as faixas e enviei-as para a Sub Pop. Acho que Kurt e Krist fizeram K7s e as deram para uma porrada de gente. De uma hora para outra, todo mundo que eu conhecia tinha cópias das sessões.


Cinco daquelas músicas se tornaram clássicos do Nevermind. Você podia ouvir a evolução na composição de Kurt em comparação com o Bleach?
Era muito mais sofisticado. As melodias eram magníficas. Em "In Bloom", o refrão é, "He's the one who likes all the pretty songs." (Ele é aquele que gosta de todas as músicas bonitas) "Pay to Play", que se tornou "Stay Away", estava mais perto do punk da velha escola mas era menos unidimensional do que o material do Bleach.

"Polly" do Nevermind é a mesma da demo Smart. Por que você não remixou-a?
Kurt não ouvia aquela música de nenhuma outra forma. Ele tinha aquela velha guitarra de cinco cordas de merda que ele nunca se dava ao trabalho de afinar. Tinha essas cordas de nylon, aquele corajoso som de ukulele [guitarra havaiana de quatro cordas]. Ele estava tocando e cantando tão baixo que havia uma granda quantidade de ruído da fita na faixa. Sendo um engenheiro nerd, eu ficava, "Ah, merda." Ele estava tipo, "Não, isso está bom."

Como era o Kurt como líder de banda?
Ele e Krist tinham uma química específica. Krist escreveu muitos dos ganchos, o que aconteceu através do Nevermind. Em muitas das músicas, os versos eram só refrões e melodia. O riff é o gancho do baixo. Kurt deu ao Krist muita liberdade. Eu raramente ouvia-o dizer, "Acho que você deveria mudar aquele riff."
A parte mais difícil era que Kurt tinha suas mudanças de humor. Ele era realmente articulado e falava sobre o que queria. Então, sem nenhuma razão aparente - eu nunca pude dizer o que provocava isso - ele apenas se calava. Sentava no canto e não dizia nada. Eu falava, "Você quer fazer outro take?" Ele nem me olhava.

O quanto era difícil manter um ritmo de trabalho quando você não sabia como Kurt iria se mostrar?
Normalmente, ele se mostrava das duas formas no mesmo dia (risos). As mudanças de humor eram muito extremas. Mas se ele se isolava, durava só uma hora ou duas. No Smart, eu estava tentando avaliar se ele estava chateado. Estava tentando não pressioná-lo demais. Por fim Krist disse, "Ele está bem. Ele só fica mal-humorado de vez em quando. Ele vai sair dessa."

Kurt freqüentemente falava de seu amor pelos Beatles. Você tentou trazer isso à tona, o pop dentro do barulho?
Eu usava isso para motivá-lo. Quando eu quis que ele gravasse vocais dobrados, ele dizia, "Isso é falso. Não quero fazer isso." Eu dizia, "Os Beatles faziam isso em tudo. John Lennon amava o som de sua voz duplicada."
Mas ele ficava sentado por ali, dedilhando sua guitarra, tocando "Julia". Ele estava constantemente tocando pequenas coisas dos Beatles. Uma noite, enquanto fazíamos Nevermind, todos eles pegaram cogumelos e foram a Venice Beach ver o sol nascer. Ele me contou que foi ouvir o Álbum Branco lá pelas 7 da manhã. Ele ficava dizendo, "É o melhor álbum na história dos álbuns!" Ele tinha aquela sensibilidade melódica inata que saía dele, e parte dela vinha de ouvir os Beatles.

O que você se lembra do dia em que mixou "Smells Like Teen Spirit"? Eles fizeram a faixa-base em três takes.
Kurt teve dificuldade em executar a introdução de guitarra e então mudar para um efeito limpo no verso. Era um pedal chamado Small Clone. Tinha esse efeito úmido, o mesmo que usamos em "Come as You Are." Ele não conseguia pegar o timing disso. Eu disse, "Nós voltamos mais tarde e fazemos por overdub." Isso o aborreceu. Ele queria fazê-lo ao vivo de qualquer jeito.

O dia em que você finalizou "Lithium" também rendeu a faixa-bônus do CD, "Endless, Nameless."
Por alguma razão, em "Lithium", a banda se mantinha acelerando. Kurt odiou isso. Estava irritando-o. Então Kurt entrou em "Endless, Nameless." Ele simplesmente começou a tocar, a banda o seguiu, e eu peguei tudo em fita. Ele estava lívido, puto pra caralho. A raiva e a frustração nos olhos dele - era assustador. Ele forçou tanto a voz que acabou com suas cordas vocais, então destruiu sua guitarra. Era uma Mosrite para canhotos. Aquilo acabou com a sessão, porque aquela guitarra foi a que ele tocou em 90% do álbum.
No final, ele estava completamente esgotado. Kurt entrou na sala de controle e não disse nada. Nem mesmo quis ouvir de novo. Ele apenas se sentou no sofá, e eu disse, "Bem, talvez seja isso por hoje."

De onde veio o início doido de "Territorial Pissings" - Krist executando o refrão de "Get Together" dos Youngbloods naquela voz estranha?
Aquilo é o Krist cantando em uma das guitarras do Kurt, uma Fender Jazzmaster. Tinha uma captação de bosta, e você podia cantar nela. Kurt queria pôr alguma introdução na música. Eu disse, "Por que você não coloca alguma estúpida letra hippie aí?" Krist entrou e cantou uma péssima versão à capela disso. Kurt morreu de rir. Então eu pensei, "Nós temos liberação quanto a isso? Isso pode ser um problema?" (De acordo com Novoselic, o Nirvana paga direitos autorais por aquela introdução)

O que havia entre Kurt e violoncelos?
Há um em "Something in the Way," e ele usou-os mais tarde em turnê e no In Utero.
Há uma melancolia nisso. Ele adorava aquele som. Dee Plakas do L7 - seu marido tocou violoncelo naquela faixa ("Something"). O mais difícil era conseguir afiná-lo com a guitarra, porque Kurt gravou aquela música com aquele pesadelo de cinco cordas que ele tinha. Nunca estava afinada com nada - ficava como que entre notas - mas era o que Kurt queria usar.
Nós lutamos para gravar baixo, bateria e guitarra ao vivo naquela música. Aí Kurt entrou na sala de controle. Ele estava realmente frustrado. Sentou no sofá e começou a tocar a música, murmurando as palavras. Eu mal podia ouvi-lo. Mas havia uma intensidade naquilo. Eu fechei as portas da sala de controle e disse ao engenheiro-assistente para pôr o telefone fora de operação. Colocamos um microfone no Kurt e um condensador na guitarra. Ele sentou-se no sofá e executou a música. Imediatamente eu soube que queria fechar o álbum com ela. Ao invés de terminar o álbum com uma adrenalina alta, isso te deixa pensando. Deixa uma continuidade no ar. Não há muitas sobras do álbum. "Old Age", "Sappy", também conhecida como "Verse Chorus Verse", e algo chamado "Song in D."
Eu quis que Kurt terminasse a letra para essa última. Era como "On a Plain" ou "About a Girl," aquele arpejo desafinado do tom em D. Eu achava que poderia torná-la outro single. Por fim, Kurt disse que não queria finalizá-la porque era muito R.E.M. Para "Sappy," ele tinha uma letra, mas queria mudá-la. A banda tentou gravá-la em muitas ocasiões. Era uma daquelas músicas que Kurt ouvia em sua cabeça, mas eles nunca conseguiram acertá-la. Mas ele continuou tentando.

Você ficou chateado quando, após Nevermind se tornar um sucesso, Kurt repudiou a produção, dizendo que era arena rock demais?
É, eu fiquei. Eu sei que a banda adorou quando ficou pronto. Mas eu esperava que fosse acontecer. Quando você está saindo com seus amigos punks e de repente você vira Número Um, você não pode dizer, "Deus, eu amo aquele álbum, estou feliz que tenha vendido 20 milhões de cópias." Era difícil para ele aceitar isso.
De qualquer forma ele era tão complicado. Há momentos em que penso no que aquele CD fez a ele. Talvez se ele não tivesse tido o sucesso que teve, ele ainda estivesse por aí. É difícil de saber. Ele sentia-se miserável muitas vezes, mas o que eu descobri quando estávamos gravando foi que ele encontrou na música uma válvula de escape. Se ele não tivesse tido isso, ele podia não ter vivido tanto quanto viveu.

Você pode ver hoje alguma falha em Nevermind, alguma coisa que queria ter feito diferente, a despeito do que aconteceu depois?
Há umas linhas que ele cantou em "Teen Spirit" que estão desafinadas. Eu quis que ele voltasse e as refizesse, mas ele não quis fazê-lo. Eu ainda posso ouvi-las. Mas não faz mal. Era mais a respeito do sentimento do que deixá-la perfeita.